Anica Vucetic / ‘A saudade’

A imagem estumada da nova concepcao de arte, semelhante aos tempos em que vem sendo criada, foi causada por influencias inumeraveis simultaneamente: das que nasceram por causa da nao existencia dum principal fluxo de estilo artistico da epoca corrente, e por isso quase cada posicao de criacao artistica autentica pode tornarse um estilo a parte, ate as tendencias gerais da civilizacao que isolaram o indiviauo nao dependente da producao de massa e das transmissoes das informacoes emitidas pelos meios eletronicos. Neste meio espiritual, ou melhor, meio criativo hoje em dia nasce uma arte nova, autonoma e independente, ao mesmo tempo parecida e diferente de tudo aquilo evidenciado nos volumes de Historia da arte. Ao inicio deste colar de reflexoes falase da nova vitalidade de criatividade que e caracteristica por cada geracao de artistas que chega, e no seu fim uma pergunta apenas posta com a consciencia que a resposta e bem longe: sera que nos encontramos no meio do fim do conceito da epoca chamado Moderna, que marcou a arte do seculo XX, ou sera que o paradigma postmoderna e um novo inicio, um capitulo criativo desconhecido – prolegomenos do Terceiro milenio?

A arte depois “dos oitenta”, embora com muitas orientapoes de desenvolvimento, tem tracado alguns pontos, determinativos importantes que constituiram algumas caracteristicas comuns que ja por volta de quinze anos iniciaram actividades de criacao individuais. Os numerosos “ismos” e “neo-ismos” da linguagem recente da expressao de artes plasticas do expressionismo pluralo nao-expressionismo, a transvanguarda ruidosda, a pintura da memoria e anacronismo ate as geometrias novas, estruturalismo e deconstrucionismo indicam, apesar de tudo, que existe uma unica maneira de compreensao de artes plasticas: a historia de arte, sobretudo a sua epoca moderna incluindo as vanguardas, toma-se como um “livro aberto” para uma pesquiza totalmente livre dos seus potenciais vitais que indicam as novas geracoes de artistas novas possibilidades de criacao. O complexo da autenticidade do modernismo, isto e de um sempre novo imperativo, hoie em dia foi trocado com exito com uma livre, repeticao de modelos lin-guisticos e conceptuais de um passado mais recente ou mais remoto, claro com mudancas e difer-engas, sublinhadas em maneira especial que permitem de interpretar as obras da arte nova nesta dualidade de caracteres como diferentes em relacao as de antes e tratalas como originais. 

Neste sentido podem ser facilmente observados no mais recente trabalho-ambiente de Anica Vučetić chamado “A Saudade” horizontes de influencias nao escondida mas tambem uma contribuigao completamente nova que se afasta em relacao ao proprio projecto historico-estetico e marcou exodos semanticos completamente novos. O trabamo-ambiente esta feito de tres grandes panos colocados do tecto ao chao da galeria que, como as velas, enfunam soprando o ar nas cinco helices especialmente feitas por esta ocasiao, movidas por motores eletricos. A intengao da artista e de provocar, neste ambiente com esta estrutura que faz nascer em nos muitas emocoes, uma tensao bem definida na passagem estreita deixada por entre as velas e a parede da galeria que, embora seja estatica, tambem faz tornar a passagem ainda mais estreita. Esta passagem estreita, feita por um lado com meios minimos, de uma maneira simples no sentido artistico, com uma forma de pano branco reduzida ao maximo e, de outro lado, muito complexa no que diz respeito aos conteudos e emocpoes parecidas a novela de Gide “A porta estreita”, faz sentir aos espectadores fenomenos psicofisicos importantes, incitates sensuais dos sentimentos esteticos do mesmo genero. Esta passagem estreita tem que fazer nos passar de um nivel de realidade para outro, do estado coletivo para a impressao individual, do espacio fisico para o sensual, dum caos natural ao trabalho estetico. A sensacao do aperto, quase do libido do espectador posto em perigo, mas tambem da actuacao de Anica Vučetić – sao fontes de enormes emonoes e tambem, visto que se,trata nomeadamente duma obra de artes plasticas apesar de todos os outros egsodos e tambem sentimentos esteticos tipicos para o publico de galerias. 

Na obra de Frank Popper (“Cinetic Art”, Studio Vista, 1968) o autor divide a arte cinetica em tres segmentos basicos: movimento real nas obras de arte, movimento virtual e o movimento ativo ou passivo do proprio espectador em frente da obra cinetica – como um capitulo completamente novo. Neste ultimo sentido pode se ver tambem esta obra de Anica Vučetić. A arte cinetica, a arte do ambiente, os moveis, as instalagoes – todas essas sao de facto tipicas mas tambem definicoes nao adequadas e insuficientes por essa obra tendo em vista que ela tem evidentemente tambem outras caracteristicas que a fazem sair das margens dos seus precursores historicos ate outros, diferentes, niveis mudados de significagoes. 

Mesmo a obra passada de Anica Vučetić, aquela que foi realizada antes da aparicao da obra “Saudade” e que atraves da linha nitida da genese chega ate ds suas esperiencias escolares, isto e trabalhos iniciais completamente fora dos principios academicos abituais da con-sepipao e realizatao de qualquer obra de arte, distinguem-se linhas de desenvolvimento com continuidade e individualidade cujo denominador comum e o interesse pelo movimento. Como e que se cria a impressao de movimento primeiro ate a sua manifesta^ao virtual e depois ate mesmo real numa oora de artes plasticas, isto e disciplina artificial que e por definicao principal arte estatica? Nos trabalhos iniciais de Anica Vučetić notamos a sugestao da impressao ao movimento dos obietos-formas do mundo zoomorfo situado no ambiente (caracois, aves, e depois trabalhos com sempre maior tamanho como morcegos, crocodis, dragoes, etc.). Depois seguem os trabalhos com que o movimento se torna virtual (com especial maneira de colocarao quando se passa, em varios planos no espacio, do ordem estatico ao ordem cinetico e, de facto, se perde a sensacao onde se encontram os trabalhos – dentro da galeria ou fora purque em verdaae juntos fazem um complexo). Finalmente, agora ja experiencia completamente visivel com o movimento (agua e ar), quando nasce a serie dos trabalhos sob o nome “Pulsacoes”. 

O circulo estetico e plastico-formal dos artistas que, semelhante aos predecessores historicos, ficam antes de Anica Vučetić nao e grande e faz parte da arte cinetica. Os trabalhos classicos de vanguarda de Marcel Duchamp (“Rotative demi-sphere”,1925) ou de Kurt Schwit-ters (Merzbau,1925) bem como as obras de Jean Tinquely, Pol Bury, Hans Haacke – fazem, o fundo para onde vem projectados os interesses de Anica Vučetić. A instalacao “A Saudade”, no sentido conceptual, e a continuacao deste colar com sensacoes e estados de alma mudados. 

Na nova arte jugoslava, o lugar de Anica Vučetić embora sendo completamente especifico e isolado e, na pratica mais recente, no vertice da actualidade. A maior parte dos artistas da sua geracao prefere criar no campo da pitura ou escultura, enquanto ela foi por um caminho completamente diferente sob a ordem da propria sensibilidade, concepq;ao da arte e percepcao afiada. Em obras como esta, a arte contemporanea jugoslava, recebe mais uma insitacao energica e evidente com os quais persiste na esfera dos acontecimentos globais criativos.

Jovan Despotovic

Museu de Arte Contmporaneo do Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo, 1995-1996